III

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Antes de saber quem era ou quem foi, é preciso saber o ser. E uma pergunta tão simplista conquanto complicada de se responder, agora torna-se ainda mais complicada e ainda mais básica. A pergunta está intimamente conectada ao saber humano, mas aplicada de uma maneira mal direcionada. Embora essa importância seja evidente, a resposta não é o centro dessa discussão que estamos adentrando. É imprescindível, antes de tudo, que a pergunta esteja certa. Sendo correta a pergunta, a resposta é fruto, assim como estas divagações. Então, se essa pergunta for a mais pertinente, quem era ela?

E com o questionamento flutuando na página, é necessário saber que sabedoria é transigência intransigente. É ser inflexível com relação à favorabilidade da necessidade da compreensão antes da crítica e da eventual acusação. E é por isso que eu não sou sábio. Eu entendo as pessoas pois as calculo. Calculo seus átomos, suas massas, sua idade, suas reações químicas, mas, ao mesmo tempo que as entendo e as calculo, as desentendo quando adentro o campo do ser, do desconhecido; o eu, o tu e o todos. O incalculável é o íntimo. Segundo Kafka, o que é vivo não comporta cálculo. O íntimo é aquilo que é inabarcável, invisível e essa incapacidade de mensurar leva à morte da minha sabedoria. Ou pelo menos à inexistência dela.

A expansividade do íntimo e sua respectiva espontaneidade torna-o, dessa forma, intangível e torna-me impotente. Apesar de ser capaz de calcular a matéria orgânica e tudo que a concerne, não tenho a capacidade de calcular a alma humana e tudo que a concerne. E entre sua matéria orgânica e sua alma e quimera, 



quem ela era?

Sobre o autor

Kauê Vargas Sitó, tenho 22 anos e sou natural de Alegrete-RS. Sou escritor, compositor, blogueiro, músico, pseuudoprogramador e entusiasta da web. Atualmente moro em Porto Alegre e estudo na UFRGS.

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