[leitura e produção textual] texto de apresentação

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Criei essa nova seção do blog para postar guardar meus textos acadêmicos quando for pertinente e/ou necessário. O primeiro texto é produção da cadeira de Leitura e Produção Textual com a Profª Drª Juliana Schoffen. A versão atual encontra-se em processo de revisão e reescrita. Segue abaixo:

UPDATE: A versão abaixo é a terceira e última versão do texto.

No dia sete de março do presente ano, ao chegar à rodoviária de Porto Alegre, o motorista do ônibus da Planalto me chutou para fora do veículo e me disse: “Vai, Kauê, ser gauche na capital”. Bem, na verdade os fatos não sucederam dessa forma, mas foi exatamente esse o sentimento ao desembarcar do ônibus. E fui ser gauche, bem desajeitado que sou, tropeçando pela vida.

Cheguei do interior acompanhado apenas de um punhado de roupas e dos meus fiéis livros.

Quando pequeno, minha brincadeira predileta era pegar escondido os livros de Pedagogia do meu pai e escrever e desenhar a história de vida do Ronaldo, o dinossauro que fumava e comia batata frita. Cresci antes de decidir se o personagem morreu por causa de um cometa ou por causa da vida saudável que levava. De qualquer forma, andava sempre com um livrinho pra lá e pra cá, de Peter Pan a Visconde de Sabugosa.

Junto com o tempo e com esse crescer veio Machado, Dostoiévski, Kafka, Drummond. Abandonei gradativamente a inocência da figura jurássica e infantil lendo Bukowski, Kerouac, Nelson Rodrigues. Abri as portas da percepção, saí do meu quarto, da minha cidade natal e também do mundo lendo as distopias de Orwell, Burroughs e Huxley. Voltei – e constantemente volto – para Alegrete guiado pelas asas de passarinho do meu conterrâneo Quintana.

Os livros me deram várias vidas, personagens e amores. Fui Jesuíta, fui guarani, adúltero, grego, troiano, semideus, bêbado, pintor, assassino e detetive, tive olhos de ressaca, atravessei o Inferno guiado por Virgílio, acordei transformado em barata. Tudo muito horrorshow. Sem falar nas releituras, as quais me recordam a criança inquieta que fui, indagando sempre meu pai da mesma forma que Alice pensava consigo mesmo: “para que serve um livro sem figuras nem diálogos?”. A criança inquieta ainda vive dentro de mim e ainda brinca de ser todos os personagens que lê.

Os livros, enfim, também me mostraram o caminho para ingressar na universidade, no curso de Letras da UFRGS. Agora, a eles que me deram tantas vidas, dedico-lhes também a minha (além de boa parte do meu dinheiro). Seja na sala de aula, no Antônio, no D-43, na beira do Guaíba, seja recitando Manuel Bandeira para a platéia de pombos que me encara na Praça da Alfândega, vou pontilhando essa nova história, passo por passo, linha por linha.

Como li no Saint-Exupéry: “O que nos salva é dar um passo e outro ainda”. Nesse ponto eu concordo com o autor sem adicionar-lhe nem ponto final. Por outro lado, por tudo que vejo e leio, discordo de O Pequeno Príncipe quando o protagonista afirma que "o essencial é invisível aos olhos". Posso estar errado, mas o essencial, em minha opinião, é tanto visto com o coração quanto perfeitamente visível aos olhos, basta abrir um bom livro.


Sobre o autor

Kauê Vargas Sitó, tenho 22 anos e sou natural de Alegrete-RS. Sou escritor, compositor, blogueiro, músico, pseuudoprogramador e entusiasta da web. Atualmente moro em Porto Alegre e estudo na UFRGS.

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